Estava numa sala bem mobilada
Bem iluminada
Com uma arquitectura quadrada
Pareceu-me que nada faltava
Preocupava-me a cara das pessoas
Faces horríveis nem ou duas boas
Todos eramos transparentes
Os corpos pareciam-me gelados nada quentes
A minha língua estava atada
Não podia dizer nada
Pelo canto do olho vi alguém a correr
Como se já soubesse o que ia acontecer
De repente o seu corpo subiu e algo invisível o torceu
Baixo-o e no chão o estendeu
Derreteu
E desapareceu…
Era tudo amargo
E eu não sabia do meu futuro quanto mais do passado
Aquela imagem não me agradou o paladar
Afinal o que é que se estava a passar?
E onde é que eu haveria de estar?
Um anjo disse-me: “Tem aqui um bilhete de ida
Viva um dia de cada vez bem-vindo à vida
Vais perder
Vais sofrer
Vais amar
E conquistar
É a lei não tens como te desviar
Escreve apenas quando te sentires sozinho
Espera uma luz e eu mostro-te o caminho
Não podes errar
Falha uma vez e num pesadelo te faço entrar
Aprende a perdoar
A maldade é inimiga do teu bem-estar
Há quem jogue o jogo do avesso
Impregnam em ti valores e colam-te um preço
Amigos nem uma mão vais ter
Porque terás as costas largas um dia irás perceber
Agora foge, corre o quanto te for possível
Porque a vida é penosa mas pode ser incrível
E se algum dia desejares desaparecer
Não desistas e corre mais que eu ajudo-te a esquecer”.
- escrito por ricardo filipe sousa
Dedicatória: Como prometido este poema é para o meu amigo Filipe Évora, por nunca ter deixado de acompanhar a minha poesia, fosse qual fosse o tema ele lá estava para dar a sua opinião e força, por isso decidi dedicar-lhe esta história que me aconteceu antes de descer para este inferno. Um grande obrigado.
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