quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

honesta como a verdade, cruel como a mentira...


Dias longos, longos dias
Tenho passado a ver o que vias
Escorrego, analiso e percebo
Que assim tenho passado serões em desassossego
Tarde se faz, tarde já é
Fecho os olhos e adormeço de pé
Sonho que vem, sonho que já veio
Sementes podres, só colho o que semeio
Acordado quero estar, acordado já estou
Acessível é pensar naquilo que sou
Não sei e concluo que mais rápido somos algo que nem sonhamos
Do que aquilo que pensamos e visto de fora nem imaginamos.
Escuro vejo, escuro sempre vai estar
Feridas que não vêem também não hão-de sarar
Inspiração que atraca, inspiração que tortura
Apresenta-se rápida e mora na rua da amargura
Hipócrita é, mas a verdade é sua
Curandeira divina que a dor me atenua.
Vem a mim solidão bonita que com a paz namoras
E todas as noites à janela pelo fim da falsidade choras
Cai sobre mim sol grandioso que tanta piedade engoles
Derretes a verdade e com ela tornas-nos moles.
Noite que chega, noite que é comprida
Bússola da mentira perduras a investida.
Adormeço errado mas acordo ileso
Inspiração por ti fui condenado, para sempre estarei preso.

  • escrito por ricardo filipe sousa
Agradecimentos: catarina santos, agata ribeiro, david mitreiro, filipa almeida e filipe evora

Dedicatória: Dedico este poema aos meus desaparecimentos que tanto me fizeram pensar e aprender.

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