quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

o misterioso perfume...


Estava no comboio e senti um perfume que me transportou
Não me agarrei, deixei-me levar e por momentos tudo mudou
Pessoas entravam
Paragens passavam
Mas nada importava
A cabeça não queria sair de onde estava
Bebi tantos pensamentos
Embriaguei-me com sentimentos
O perfume perseguia-me então ia mudando de carruagens
Mas era tarde demais e chegaram as imagens
Atravessaram-me, empurraram-me
Sem eu querer sentaram-me
Fechei os olhos e tudo começou
Imaginação essa que até as cores do mundo limpou
Estava amordaçado
Acorrentado
Com duas alavancas e uma árvore ao lado
Ouvi uma voz:
“Toma uma decisão atroz,
Uma alavanca deixa-te aqui assim para sempre
Mas terás esta magnífica e intocável árvore à tua frente
O outro leva-te de volta à carruagem
E eu apago-te da cabeça esta imagem
Tens de ser tu mesmo e precisas de coragem”
Foi tão complicado escolher
E difícil estas linhas escrever
Puxei uma alavanca com o coração
Mas tentei recuar na decisão
Não estava a ser o Ricardo e ouvi um não
O paraíso em outono se transformou
A árvore perdeu a força e folha a folha tudo voou
Acordei
E do cheiro do perfume não me lembrei
Foi quando que como possuído gritei:
“Deixei de ser o peão que roda e roda não é forte
Esqueci que eras a bússola aquela que me apontava o norte”
As pessoas olharam para mim
Levantei-me e disse: a minha viagem chegou ao fim

Neste mar de rosas és a flor que escolhi
Parti os meus espelhos dei-te tudo e em troca quase nada pedi
Desde que te conheci
É mais fácil contar as vezes em que não penso em ti
Nunca duvides do que senti
Quis levar-te ao México da felicidade e em vez disso tudo perdi
Boa sorte com o próximo que queiras expor nas tuas montras
Alguém como eu que te deseje tão bem não encontras
Isto não é nenhuma ofensiva
A guerra acabou ganhaste estou oficialmente na recessiva
Se nunca teve de dar
EU FAZIA COM QUE DESSE
Mas os outros tinham algo que não tenho e por um erro achas que sou alguém que não te merece
Diz-me apenas um dia se o que me fizeste valeu a pena
Ou se percebeste que em tempos fazer-te feliz era o meu lema...


…É tão azeda esta maresia
Sujei-me tanto a escrever para ti, esta é a minha última poesia.


  • escrito por ricardo filipe sousa
Notas: Curiosamente escrevi grande parte deste poema no comboio, outra parte  ás tantas da manhã, o resto neste mesmo dia.


Agradecimentos: mafalda ferreira, ines azevedo, maria miguel saraiva, david mitreiro, mafalda martins, rafaela ribeiro e filipe evora.

2 comentários:

  1. Lindo,
    Ricardo não te sabia tão dotado. Excelente, as imagens, a escolha das palavras.
    Parabéns!

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    1. Comentas-te um dos meus poemas favoritos, lembras-te daquele dia que passei com o Claúdio? a base deste poema foi escrito no comboio a caminho de ir ter com vocês. Obrigado pelo elogio, é um hobby que me ajuda de uma maneira a exprimir-me que nem eu imaginava.

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